Passeio para Corupá

Quando: 10/06/2007

Quanto: R$ 30,00 (passagem + entrada)

Lugares: 44 Lugares em ônibus equipado com banheiro + ar

Como garantir a passagem: pagamento de R$10,00 para garantir seu lugar e o restante até 5 dias úteis antes do passeio.

E se eu tiver mais dúvidas?? entre em contato comigo através do e-mail promovido@gmail.com.br ou do cel 9127-7327. Estou todos os dias na UDESC.

Para conhecer um pouco mais do parque deixei uma página com informações.

Aproveite para se divertir e conhecer esse lugar maravilhoso.

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Samba

Samba é um programa para Linux (ou qualquer outro sistema operacional baseado em UNIX) que simula um servidor Windows, permitindo que seja feito gerenciamento e compartilhamento de arquivos em uma rede Microsoft.

Na versão 3, Samba não só provê arquivos e serviços de impressão para vários Clientes Windows, como pode também integrar-se com Windows Server Domain, tanto como Primary Domain Controller (PDC) ou como um Domain Member. Pode fazer parte também de um Active Directory Domain.

A história do Samba

O Samba foi criado por Andrew Tridgell. Tridgell precisava montar um espaço em disco em seu PC para um servidor Unix. Esse PC rodava DOS e, inicialmente, foi utilizado o sistema de arquivos NFS (Network File System) para o acesso. Porém, um aplicativo precisava de suporte ao protocolo NetBIOS (que não era suportado pelo NFS). A solução que Tridgell encontrou não parecia ser das mais simples: ele escreveu um Sniffer (pequeno programa para captura de tráfego de dados em rede) para poder analisar o tráfego de dados gerado pelo protocolo NetBIOS. Uma vez implementado, Tridgell utilizou engenharia reversa em cima do protocolo SMB (Server Message Block) e implementou no Unix. Isso fez com que o servidor Unix aparecesse como um servidor de arquivos Windows em seu PC com DOS.

Tridgell disponibilizou esse código publicamente 1992. Algum tempo depois o projeto foi posto de lado e assim ficou. Um dia Tridgell decidiu conectar o PC de sua esposa ao seu computador, que rodava Linux. Porém, na hora de conecta-los não encontrou meio melhor de fazer isso, se não com seu antigo código.

Após algumas trocas de e-mails, Tridgell descobriu que as documentações dos protocolos SMB e NetBIOS estavam atualizadas e então decidiu voltar a se dedicar ao projeto. Um dia, uma empresa entrou em contato com Tridgell reivindicando os direitos sobre o nome usado no software. Então ele teve a idéia de procurar em um dicionário uma palavra que tivesse as letras s, m e b (de SMB) e acabou encontrando a palavra “samba”. A partir daí o projeto Samba cresceu e hoje Andrew Tridgell conta com uma excelente equipe de programadores e com milhares de usuários de sua solução espalhados pelo mundo.

A Luta do século

Houve um tempo em que Fidel Castro e Augusto Pinochet eram o símbolo da luta entre direita e esquerda na América latina. Hoje, eles são passado. Será que deixaram alguma herança?

Por Eduardo Szklarz

No auge da Guerra Fria, quando o mundo se dividia entre capitalismo e comunismo, dois líderes polarizaram essa disputa na América Latina: o chileno Augusto Pinochet e o cubano Fidel Castro. Cada um tentou livrar seu país de inimigos ideológicos e exportar seu projeto para a região.Pinochet governou por 17 anos após um golpe contra o socialista Salvador Allende, em 1973 (Allende teria se suicidado com o fuzil que ganhou de Fidel). El General terminou a vida num funeral sem direito a honras. Fidel também tomou o poder à força, em 1959, e só o deixou em 2006, quando uma doença misteriosa o obrigou a transferir suas funções para o irmão Raúl.

Hoje, mesmo fora de cena, ambos protagonizam as histórias que ajudaram a criar. Os simpatizantes de Pinochet justificam seu regime dizendo que ele deu ao Chile um pujante crescimento econômico e preparou o país para competir no mundo globalizado. A legião de castristas afirma que El Comandante usou a força para garantir a Cuba incríveis avanços sociais, especialmente na saúde e na educação. Qual dos dois ganhou?

Ditadores

Antes é preciso deixar claro o que eles foram: ditadores brutais. Os excessos de Pinochet vieram à tona com a redemocratização chilena; os de Fidel são menos conhecidos graças à censura e ao silêncio dos intelectuais. Mas ambos executaram milhares de pessoas, calaram a imprensa, atropelaram a Justiça, torturaram prisioneiros e seqüestraram opositores (reais e imaginários).

Ambos cultivaram um profundo desprezo pela democracia e quiseram transformar radicalmente sua sociedade com projetos messiânicos. Pinochet dizia “Yo obtengo que seu poder emanava de Deus (my fuerza de Dios” ) e se lançou como baluarte da civilização capitalista cristã. Fidel encarnou o revolucionário socialista que levou a noção de igualdade às últimas conseqüências: tão igual que não tolera diferenças, seja de religião, seja de classe, seja de pensamento.

Eficiência em troca de sangue

Os dois se valeram de outro truque em comum: se apresentar como eficiente, dando a entender que o sangue vale a pena em nome de algo maior. No fundo, construíam uma narrativa que está mais para ladainha do que para verdade histórica.

Se as reformas de Pinochet dinamizaram a economia do Chile e fizeram o país crescer 5% ao ano, elas falharam em produzir uma sociedade igualitária. O Chile desenvolvido convive com a má distribuição de renda.

Outra distorção: a expansão exuberante só veio graças à alta do preço do cobre, o grande produto de exportação do país – uma conquista que deve mais ao mercado que a méritos do governo. Em Cuba, ao contrário do que reza a lenda, saúde e educação já se destacavam antes de Fidel. Nos anos 50, a ilha exibia taxas de alfabetização mais altas que as de quase todo o continente, serviços médicos de tal o nível e mortalidade infantil comparável à da Europa. Tudo isso está nos anuários estatísticos da ONU, mas é ocultado pelos fãs de Fidel.

E deu no quê?

Em número de fãs, Pinochet perde feio. Ele só é louvado por meia dúzia de economistas e 15% dos chilenos. Fidel tem uma legião de seguidores. Também pudera: faz meio século que os cubanos são bombardeados com a máquina de propaganda estatal. Fora de Cuba, o líder conta com a simpatia de boa parte dos políticos latino-americanos, forjados em oposição a ditadores de direita – em geral, quem apoiou os militares morreu politicamente após a democratização.

Tanto é assim que os atuais governantes não têm problemas em elogiar Fidel, mas ai do que não tratar Pinochet como cão safado. A lista de presidentes vindos da esquerda só cresce. Inclui Lula, Chá vez na Venezuela, Kirchner na Ar gentina, Morales na Bo lí via, Correa no Equador, Bachelet no Chile e Vazquez no Uruguai.

Você samba de que lado?

Quer dizer que a América Latina hoje é de esquerda? Vitória para Fidel? Nem tanto. Lula e Bachelet prometem justiça social, mas suas idéias econômicas estão mais para Chile que para Cuba.

Quer mais? Uma pesquisa do instituto Latinobarómetro mostrou que o continente tem mais eleitores de direita que de esquerda. Mesmo assim, os presidentes esquerdistas são maioria. A aparente contradição provaria que a “nova esquerda” interpreta melhor os anseios do eleitorado? Talvez. Pode ser também que as pessoas já não sabem o que é ser de esquerda ou de direita.

Empate técnico

O placar final está mais para empate que para goleada. Fidel é uma celebridade, mas o compromisso dos seus adoradores se resume a elogiar a “luta contra o imperialismo”. Nada de engajamento. Pinochet abriu espaço para o Chile ter a mais moderna economia no continente, mas será lembrado como um presidente detestável.

A história dos políticos mostra que uma coisa é o discurso, outra é a prática. Chávez chama Bush de Satã, mas vende petróleo aos EUA e usa os lucros para manter Cuba. Com os eleitores não é diferente. Quem enche a boca para falar da ilha dificilmente estaria disposto a viver lá, com acesso restrito à internet, podendo ser preso por uma conversa de bar e pagando caro no mercado negro por um bom xampu.

Ah, sim. Os dois ditadores também são páreo duro quando o assunto é a apropriação de bens do Estado. Pinochet tinha mais de 100 contas secretas no exterior. O companheiro Fidel foi alçado pela revista Forbes ao posto de 7º mandatário mais rico do mundo. Sua fortuna bateria nos US$ 900 milhões. Mas ele nega, claro

Ciência e cidadania

 

Coordenador do centro de pesquisas do Instituto Internacional de Neurociências de Natal Edmound e Lily Safra, Miguel Nicolelis planeja tornar a pesquisa científica um agente de transformação social

por Laura Knapp

Em fevereiro, a primeira etapa de um projeto ambicioso concebido por neurocientistas brasileiros se consolidou com a inauguração oficial do Instituto Internacional de Neurociências de Natal Edmond e Lily Safra (IINN-ELS). Quando lançaram o sonho de montar uma rede de institutos de neurociências, em 2003, os idealizadores do projeto, Miguel Nicolelis, Sidarta Ribeiro e Claudio Mello, queriam não só implantar no Brasil um instituto de neurociências capaz de competir com grandes centros internacionais, mas contribuir para reverter as desigualdades sociais brasileiras. Mais que laboratórios de pesquisa, esses sonhadores, como gostam de ser descritos, querem formar centros com ativa participação da comunidade local para provar sua crença de que ciência pode ser feita por todos e é capaz de se transformar em grande catalisador social.

Na conversa por telefone com Scientific American Brasil durante uma de suas passagens pelo país, Nicolelis falou sobre educação científica, desenvolvimento e pesquisas realizadas em Natal.

Ímã para o Desenvolvimento
“O Brasil está caindo num fosso educacional. Se não prestar atenção, não haverá mais volta. Sem investir no potencial humano, é melhor esquecer a idéia de fazer o Brasil crescer.” A cada volta ao país, Nicolelis fica horrorizado ao encontrar adolescentes que não sabem ler. “Dizem que o Brasil forma 10 mil doutores por ano. A China forma 750 mil engenheiros, de alta qualificação, o que explica o crescimento de 14% ao ano. Isso é o que me assusta no Brasil. A sensação que tenho é que falta visão de como se constrói um país.”

Um dos motivos para ter escolhido o Rio Grande do Norte para montar o primeiro dos 12 institutos planejados é que o estado está muito atrás em índices de educação. Nicolelis acha que assim será mais fácil medir a diferença que o IINN fará. “Pelo menos sabemos de onde vamos partir.” Os vários projetos e centros – inspirados no instituto alemão Max Planck – devem, segundo ele, servir como magneto de transformação social e econômica. A idéia é formar um grande pólo de biotecnologia e biomédico em Natal, voltado para a neurologia, atraindo empresas, start-ups, fabricantes de próteses, fármacos e equipamentos. E afirma, confiante: “Se depender de nosso programa, nossa Califórnia será aqui. Este será o Silicon Valley brasileiro do cérebro.”

Cores ilusórias & o cérebro

Novas ilusões visuais sugerem que a percepção de cores está associada à de formas e profundidade.

por John S. Werner, Baingio Pinna e Lothar Spillmann

Importantes informações são perdidas quando se vê o mundo em preto-e-branco. As coresFolhas de outono e reflexos em uma fonte revelam a riqueza de informações transmitidas pelas cores. Muitos detalhes desaparecem na versão em preto-e-branco da foto não apenas nos permitem enxergar o mundo com mais precisão, mas também criam qualidades emergentes que não existiriam sem elas. A fotografia da página ao lado, por exemplo, revela folhas de outono nas plácidas águas de uma fonte, juntamente com reflexos de árvores e um céu vespertino azul-escuro atrás delas. Na mesma cena vista em preto-e-branco, as folhas se destacam menos, os reflexos de luz são fracos, a água é quase invisível e a diferença aparente de profundidade entre o céu, as árvores e as folhas boiando não existe mais.

Ainda sim, esse papel que as cores exercem e mesmo sua verdadeira natureza não são bem reconhecidos. Muitas pessoas acreditam que a cor é uma propriedade definidora e essencial dos objetos, que depende inteiramente dos comprimentos de onda de luz específicos que são refletidos deles.

Mas essa crença é equivocada. A cor é uma sensação criada pelo cérebro. Se as cores que percebemos dependessem apenas do comprimento de onda da luz refletida, a cor de um objeto pareceria mudar drasticamente com variações de iluminação, com névoa, fumaça e luz de fundo. Pelo contrário, os padrões de atividade no cérebro mantêm a cor de um objeto relativamente estável, apesar de variações no seu ambiente.

Muitos pesquisadores que estudam a visão sustentam que a cor meramente nos auxilia na discriminação de objetos quando diferenças no brilho são insuficientes para tal tarefa. Alguns vão ainda mais longe e dizem que a cor é um luxo, e não realmente uma necessidade: afinal de contas, pessoas completamente daltônicas e muitas espécies de animais parecem se dar bem sem o grau de percepção de cor que a maioria dos humanos tem. A via de reações cerebrais responsável pela navegação e movimento, por exemplo, é essencialmente insensível às cores.

Revista Scientific American do Brasil

Carta do cacique Seattle

Cacique Seattle dos Suquamish do Estado de WashingtonHá mais de um século e meio, em 1855, o cacique Seattle, dos Suquamish, do Estado de Washington, costa Oeste dos Estados Unidos, enviou esta carta ao presidente Franklin Pierce, em resposta a uma oferta para compra do território indígena. As reflexões do líder Suquamish ainda têm uma surpreendente atualidade.

“O grande chefe de Washington mandou dizer que quer comprar nossa terra. O grande chefe assegurou-nos também da sua amizade e benevolência. É uma atitude gentil da parte dele, pois sabemos que não necessita da nossa amizade. Vamos pensar na oferta. Sabemos que se não o fizermos, o homem branco virá com armas e se apossará dela. O grande chefe de Washington pode acreditar no que o chefe Seattle diz com a mesma certeza com que nossos irmãos brancos podem confiar na mudança das estações do ano. Minha palavra é como as estrelas: não perdem o brilho.

Mas como é possível comprar ou vender o céu, o calor da terra? É uma idéia estranha. Não somos donos da pureza do ar e do brilho da água. Como alguém pode então comprá-los de nós? Decidimos apenas sobre coisas do nosso tempo. Toda esta terra é sagrada para o meu povo. Cada folha reluzente, todas as praias de areia, cada floco de neblina nas florestas escuras, cada clareira, todos os insetos a zumbir são sagrados nas tradições e na crença do meu povo.

Sabemos que o homem branco não compreende o nosso modo de viver. Para ele um torrão de terra é o mesmo que outro. Porque ele é um estranho, que vem de noite e rouba da terra tudo quanto necessita. A terra não é sua irmã, nem sua amiga, e depois de esgotá-la ele vai embora. Deixa para trás o túmulo de seu pai sem nenhum sentimento. Rouba a terra de seus filhos, nada respeita. Esquece os antepassados e os direitos dos filhos. Sua ganância empobrece a terra e deixa atrás de si os desertos. Suas cidades são um tormento para os olhos do homem vermelho, mas talvez seja assim porque o homem vermelho seria um selvagem que nada compreende.

Não há paz nas cidades do homem branco. Nem lugar onde se possa ouvir o som do desabrochar da folhagem na primavera, o zumbir das asas dos insetos. Talvez por ser um selvagem que nada entende, o barulho das cidades é terrível para os meus ouvidos. E que espécie de vida é aquela em que o homem não pode ouvir a voz do corvo noturno ou a conversa dos sapos no brejo à noite? Um índio prefere o suave sussurro do vento sobre o espelho d’água e o próprio cheiro do vento, purificado pela chuva do meio-dia e com perfume de pinho. O ar é precioso para o homem vermelho, porque todos os seres vivos respiram o mesmo ar, animais, árvores, homens. Não parece que o homem branco se importe com o ar que respira. Como um moribundo, ele é insensível ao mau cheiro.

Se eu me decidir a aceitar a venda, imporei uma condição: o homem branco deve tratar os animais como se fossem seus irmãos. Sou um selvagem e não compreendo que possa ser de outra forma. Vi milhares de bisões apodrecendo nas pradarias abandonados pelo homem branco que os abatia a tiros. Sou um selvagem e não compreendo como um fumegante cavalo de ferro possa ser mais valioso que um bisão, que nós, peles vermelhas matamos apenas para sustentar a nossa própria vida. O que é o homem sem os animais? Se todos os animais acabassem os homens morreriam de solidão espiritual, porque tudo quanto acontece aos animais pode também afetar os homens. Tudo quanto fere a terra, fere também os filhos da terra.

Nossos filhos viram os pais humilhados na derrota. Nossos guerreiros vergam sob o peso da vergonha. E depois da derrota passam o tempo em ócio e envenenam seu corpo com alimentos doces e bebidas ardentes. Não importa muito onde passaremos nossos últimos dias. Eles não são muitos. Mais algumas horas ou até mesmo alguns invernos e nenhum dos filhos das grandes tribos que viveram nestas terras ou que tem vagueado em pequenos bandos pelos bosques, sobrará para chorar, sobre os túmulos, um povo que um dia foi tão poderoso e cheio de confiança como o nosso povo.

Sabemos de uma coisa que o homem branco talvez venha um dia a descobrir: nosso Deus é o mesmo Deus. Julga, talvez, que pode ser dono Dele da mesma maneira como deseja possuir nossa terra. Mas não pode. Ele é Deus de todos. E quer bem da mesma maneira do homem vermelho como do branco. A terra é amada por Ele. Causar dano à terra é demonstrar desprezo pelo Criador. O homem branco também vai desaparecer, talvez mais depressa que as outras raças. Continua sujando sua própria cama e há de morrer, uma noite, sufocado nos seus próprios dejetos. Depois de abatido o último bisão e domados todos os cavalos selvagens, quando as matas misteriosas federem à gente, quando as colinas escarpadas se encherem de fios que falam, onde ficarão então os sertões? Terão acabado. E as águias? Terão ido embora. Restará dar adeus à andorinha da torre e à caça. É o fim da vida e o começo da sobrevivência.

Talvez compreendêssemos com que sonha o homem branco se soubéssemos que esperanças transmite a seus filhos nas longas noites de inverno, que visões do futuro oferece para que possam tomar forma os desejos do dia de amanhã. Mas nós somos selvagens. Os sonhos do homem branco são desconhecidos para nós. E por serem desconhecidos, temos que escolher nosso próprio caminho. Se concordarmos com a venda é para garantir as reservas que foram prometidas. Lá talvez possamos viver nossos últimos dias. Depois que o último homem vermelho tiver partido e a sua lembrança não passar da sombra de uma nuvem sobre as pradarias, a alma do meu povo continuará a viver nestas florestas e praias, porque nós as amamos como um recém-nascido ama o bater do coração de sua mãe. Se vendermos nossa terra, ama-a como nós a amávamos. Protege-a como nós a protegíamos. Nunca se esqueçam de como era a terra quando tomaram posse dela. E com toda a sua força, o seu poder, e todo o seu coração, conserva-a para os seus filhos e ama-a como Deus ama a todos nós. Uma coisa sabemos: o nosso Deus é o mesmo Deus. Esta terra é querida por Ele. Nem mesmo o homem branco pode evitar o nosso destino”.

Revista Scientific American do Brasil

O iluminado

Era impossível competir com Romualdo, fosse qual fosse o tema.

- Meu filho nasceu – alguém disse uma vez.
- Onde?  – perguntou Romualdo.
- No Albert Einstein – respondeu o outro.
- O meu nasceu no Monte Sinai, de Nova York. Sempre quis o melhor pro meu filho.
Tudo o que o Romualdo fazia ou tinha era mais interessante, espetacular ou inusitado.
Carro:
- Comprei uma Ferrari.
Romualdo entrava com tudo:
- Carro pra mim é Lamborghini Diablo. Quer dar uma voltinha na minha?
Mulher:
- Tô saindo com a Naomi Campbell!
- E eu com a Athina Onassis – cortava Romualdo, com a superioridade de sempre.
Romualdo também peitava qualquer um no mundo das  artes e cultura. Não havia tema sobre o qual ele não tivesse algo mais contundente a revelar.
Dizem que certa vez enfrentou os três maiores sabichões do país: Décio, Haroldo e Augusto – juntos. Discutiram de passagens literárias da Bíblia até a prosa de Faulkner, passando pela vida de Safo.  E Romualdo narrou passagens que até o trio sabe-tudo desconhecia.
No meio de acalorada discussão estético-intelectual, Romualdo ainda soltou essa:
- E, olha: James Joyce  era bicha. Tenho uma carta dele pra um marinheiro irlandês guardadinha no meu cofre.
Romualdo também era íntimo do “grand-monde” internacional: Bono Vox, Tony Blair, Billy Cristal, Príncipe William, Leonardo Di Caprio. Se alguém pagava de amigo de celebridade, lá vinha ele:
- É, mas você não passa a mão na bunda do Jack Nicholson…
Um dia Romualdo morreu.
Rapaz, que morte!
Foi atravessar a Avenida Foch, a mais elegante de Paris, e grudou os sapatos italianos num chiclete suíço. Veio uma carreta inglesa carregando um míssil norte-americano e o atropelou.
Depois de perder o controle, o gigantesco caminhão explodiu metade da rede elétrica da cidade.
Nunca se viu uma morte daquelas. A Cidade-Luz ficou 48 horas completamente às escuras. A data virou até feriado nacional: o “Le Romualdô”, dias depois da “Fête du Travail”.
O enterro então foi imbatível.
A celebração ficou a cargo de um papa, um pai-de-santo, um pastor evangélico, um rabino e o Dalai Lama no cemitério Père Lachaise – o mais, mais do mundo.
Madonna cantou a música favorita de Romualdo enquanto o caixão, com design Pininfarina, descia seguro por cordas folheadas a ouro.
A cova ficava ao lado da de Jim Morrison, mas a de Romualdo tinha vista para a Rive Gauche.
Durante o velório alguém disse:
- Deus que se cuide. Já, já o Romualdo passa Ele pra trás.

 Carlos Castelo

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Beleza ou não?

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